Em um domingo qualquer
telhado, linhas e talvez a playlist
flutuando quem sabe nos sorrisos invisíveis
as horas correm lentas nesse silêncio ensurdecedor
assim como os pensamentos que me levam à linha do equador
dimensões e paradigmas inquietante
me acordam do sono de forma gritante
marasmo que só os domingos me traz
deleita-se em formas cada vez mais banais
faz a vida transcender mil faces irreais
sozinha
retida
em seus murais
derrama-se enfim
amores ideais
domingo, 7 de junho de 2015
quinta-feira, 26 de março de 2015
Anagrama de amar
Tenho sofrido das dores de Catulo: odi et amo. Mais uma prova de que ainda não aprendi nada com as canções sentimentais.
Esses dias uma moça me fez um grande elogio -- "Eu não entendo nada do que você diz, Yuri. Mas esse seu jeito abstrato de falar é bem bonito". Eu ando um bocado viajoso da cabeça, realmente; às vezes acho que eu não tô mais cabendo nos espaços físicos da vida. Minha alma tem feito morada com os rostos multifacetados de Clarice e Haroldo. Tão virando minhas galáxias, tão sendo o caos que contorna a minha forma amorfa de não-ser. E começo aqui... e aqui me zero, reverbero... uma pessoa que não seja uma pessoa de viagem, mas uma pessoa torna-viagem. A desorganização do não fazer sentido é o que me atrai. Acho que eu nunca te disse, mas te acho a coisa mais lindinha desse mundo, pequenininha assim mesmo, bichinha, qual flor de laranjeira. Tua imagem e teu cheiro ainda tão intactos aqui -- quem não tá intacto sou eu --.
Vocentrismo. Tudo gira em torno de uma galáxia com teu nome, que não por acaso, é quase anagrama de "amar". Ih, cara, planetas tem aos bocados por aqui. Mas only you é galáxia. De um lado a lua, do outro lado as estrelas e aqui não cabe metáfora porque certas gentes não merecem meu lirismo. Ai, esse universo não cabe no trímetro anapéstico que eu queria fazer. É volúvel, musa primeira. Vou abrir um novo arquivo pra começar a falar do sorriso - infante como um raio de sol - da flora que tem o mesmo nome que você (que belo avatar, hein, querida?) ou ouvir-ler sobre os fracassos da lógica cartesiana no calor dos trópicos. Alguém salve João Miguel Descartes e seu "ofício de ofídio"!
Esses dias uma moça me fez um grande elogio -- "Eu não entendo nada do que você diz, Yuri. Mas esse seu jeito abstrato de falar é bem bonito". Eu ando um bocado viajoso da cabeça, realmente; às vezes acho que eu não tô mais cabendo nos espaços físicos da vida. Minha alma tem feito morada com os rostos multifacetados de Clarice e Haroldo. Tão virando minhas galáxias, tão sendo o caos que contorna a minha forma amorfa de não-ser. E começo aqui... e aqui me zero, reverbero... uma pessoa que não seja uma pessoa de viagem, mas uma pessoa torna-viagem. A desorganização do não fazer sentido é o que me atrai. Acho que eu nunca te disse, mas te acho a coisa mais lindinha desse mundo, pequenininha assim mesmo, bichinha, qual flor de laranjeira. Tua imagem e teu cheiro ainda tão intactos aqui -- quem não tá intacto sou eu --.
Vocentrismo. Tudo gira em torno de uma galáxia com teu nome, que não por acaso, é quase anagrama de "amar". Ih, cara, planetas tem aos bocados por aqui. Mas only you é galáxia. De um lado a lua, do outro lado as estrelas e aqui não cabe metáfora porque certas gentes não merecem meu lirismo. Ai, esse universo não cabe no trímetro anapéstico que eu queria fazer. É volúvel, musa primeira. Vou abrir um novo arquivo pra começar a falar do sorriso - infante como um raio de sol - da flora que tem o mesmo nome que você (que belo avatar, hein, querida?) ou ouvir-ler sobre os fracassos da lógica cartesiana no calor dos trópicos. Alguém salve João Miguel Descartes e seu "ofício de ofídio"!
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Saudade do meu desespero
Nesses últimos dias me peguei oca, sem tantos pensamentos, sem minha constante crise existencial e, pasmem, sem observações ácidas sobre o nosso cotidiano as quais faço de entretenimento para as definições da vida. Faço da minha tentativa de escrita um refugio que me proporciona transbordar sem medo de respingar os meus achismos pelo buraco da fechadura em que, muitas vezes, me silencio no meu infinito particular. E esse silêncio sem gritos me deixou em um estado de inércia ingrata e bastante calorosa.
Decidi, então, sair e tentar me dimensionar em linhas. Na pluralidade dessa minha mente inquieta passaram muitas questões que estão em alta midiaticamente quanto questões de interesse e cultivo próprio, variando da politica nacional até a banalidade de esperar o ônibus e torcer que ele esteja vazio causando assim uma leve sensação de bem estar misturada com uma sorte gritante. Oras ... nada melhor do que se sentir dona do ônibus. Mas, confesso, não há nada mais prazeroso do que discutir o humano. Suas fragilidades, mazelas, ambições e, claro, suas poucas virtudes apesar de toda a capa que o faz. Quando penso no humano, agradeço a Deus por não ter concedido o poder de ler pensamentos, ao contrario, nenhuma democracia seria tão tolerante ao ponto de saber o que o outro realmente pensa - Je suis Charlie - Olhos nos olhos, quero ver o que você diz.
Nesse mar turbulento que gosto de remar me deparei com os vídeos interessantíssimo do Leandro Karnal em que ele aborda os sete pecados capitais se direcionando a inveja e o sofrimento com a felicidade alheia, de imediato, caí na gargalhada, no segundo denominado "orgulho nosso de cada dia" quase me engasgo com as mesmas gargalhadas.
sábado, 31 de janeiro de 2015
amenidades de um janeiro de mormaços
Esse texto começa comigo, em plena madrugada de sexta feira indo jogar o lixo na lixeira. Lixo orgânico, pra ser mais específico. Não, acho que não. Acho que começa hoje mais cedo, quando vimos aquele gato morto no meio da rua, com o cérebro esmagado. E torcemos para que um segundo carro passasse por cima, só para piorar mais a situação. Como se os problemas do mundo não fossem bastante.
Apesar de não ter feito promessas ou planejado metas, este ano estou disposto a ir em frente nas coisas. Independente da minha real vontade, do medo das consequências e tudo que envolve minhas decisões, estou definitivamente deixando o acaso me levar. Será que não estou me repetindo demais, sendo o mesmo mais uma vez? O mesmo que na verdade tem um toque de único quando tenta achar um erro em si mesmo. Mas sem objetivos, apenas desanda em escrever um texto qualquer para um blog sem renome no meio da internet.
Estou à espera de minha câmera fotográfica nova. Registrar para num futuro, próximo ou não, as curvas do teu corpo, a forma como as luzes caem sobre seus cabelos ou como os teus lábios são sombrios enquanto comes alface com azeite. Eu acho até graça do teu vegetarianismo. É um amor estranho esse que você tem pelos animais. Eles não fazem nada pra você, só servem para serem observados por esses teus olhos dignos de contos de Caio F. Abreu. E você os observa, filosofa sobre o mais profundo induto da consciência humana, inspirada por uma besta que demonstra felicidade balançando o rabo. Mas não posso mesmo falar mal do teu amor por animais, afinal, se não fosse ele, talvez eu não merecesse nem ser cobaia de teus olhos. E você me olha com esses olhos de quem tem uma dieta que faz mais sentido que a vida besta que levamos.
Estou a espera de muitas coisas, na verdade. Uma vida feita de esperas e atrasos. Essa vontade de ler um livro, de fazer um filho e abortá-lo. Colocar em palavras todas as pequenas coisas que meus olhos veem no cotidiano burlesco e calourento. Tenho que arrumar mais coisas pra contar, pra fazer. Se não começar a me distrair por agora, vou entrar num caminho sem volta para o ostracismo neste universo que eu mesmo estou criando. É como se eu quisesse ser ídolo de mim.
O fato é que: no alto de minha jovialidade, não sei se minha vida começou a acabar ou se ela está começando agora, mas pela primeira vez, sinto que algo está acontecendo. Algo está se movendo, dentro do repouso universal de heráclito que aprendi no ensino médio, mas que tive que pesquisar agora para ter certeza quanto à teoria e não ser falho em minha referência. É uma ladeira. O que haverá lá embaixo? talvez um espelho. talvez a física esteja reversa na minha metáfora e eu esteja subindo, ao sabor da gravidade. tudo é mais complexo do que parece. inclusive a simplicidade.
Apesar de não ter feito promessas ou planejado metas, este ano estou disposto a ir em frente nas coisas. Independente da minha real vontade, do medo das consequências e tudo que envolve minhas decisões, estou definitivamente deixando o acaso me levar. Será que não estou me repetindo demais, sendo o mesmo mais uma vez? O mesmo que na verdade tem um toque de único quando tenta achar um erro em si mesmo. Mas sem objetivos, apenas desanda em escrever um texto qualquer para um blog sem renome no meio da internet.
Estou à espera de minha câmera fotográfica nova. Registrar para num futuro, próximo ou não, as curvas do teu corpo, a forma como as luzes caem sobre seus cabelos ou como os teus lábios são sombrios enquanto comes alface com azeite. Eu acho até graça do teu vegetarianismo. É um amor estranho esse que você tem pelos animais. Eles não fazem nada pra você, só servem para serem observados por esses teus olhos dignos de contos de Caio F. Abreu. E você os observa, filosofa sobre o mais profundo induto da consciência humana, inspirada por uma besta que demonstra felicidade balançando o rabo. Mas não posso mesmo falar mal do teu amor por animais, afinal, se não fosse ele, talvez eu não merecesse nem ser cobaia de teus olhos. E você me olha com esses olhos de quem tem uma dieta que faz mais sentido que a vida besta que levamos.
Estou a espera de muitas coisas, na verdade. Uma vida feita de esperas e atrasos. Essa vontade de ler um livro, de fazer um filho e abortá-lo. Colocar em palavras todas as pequenas coisas que meus olhos veem no cotidiano burlesco e calourento. Tenho que arrumar mais coisas pra contar, pra fazer. Se não começar a me distrair por agora, vou entrar num caminho sem volta para o ostracismo neste universo que eu mesmo estou criando. É como se eu quisesse ser ídolo de mim.
O fato é que: no alto de minha jovialidade, não sei se minha vida começou a acabar ou se ela está começando agora, mas pela primeira vez, sinto que algo está acontecendo. Algo está se movendo, dentro do repouso universal de heráclito que aprendi no ensino médio, mas que tive que pesquisar agora para ter certeza quanto à teoria e não ser falho em minha referência. É uma ladeira. O que haverá lá embaixo? talvez um espelho. talvez a física esteja reversa na minha metáfora e eu esteja subindo, ao sabor da gravidade. tudo é mais complexo do que parece. inclusive a simplicidade.
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Dez Balas de Morango
Acabei de voltar da cozinha. Lá, por aquelas terras habitadas por formigas silenciosas e doces escondidos, encontrei algumas balinhas de “Morango Cítrico”. Em meio a toda maravilha agridoce recém desembalada que minha boca já saboreava, lembrei de você. Lembrei que devia passar o adocicado que me mostraste, para minhas palavras de chocolate branco derretido.
Dos muitos mistérios da vida que moram entre “a razão do viver” e o “depois de morrer”, existe minha curiosidade quanto a tua pessoa: Quem seria essa doce-moça-boba dos cabelos da cor do sol? Essa dos olhos arqueados como um horizonte que se curva para beijar o nascer da lua, mas que, ainda assim, apenas tenho um olhar vislumbrado por meio de fotografias de facebook – fotos que mostram sorrisos que falam mais do que qualquer palavra trocada ou cruzada, diga-se de passagem -?
As viajosidades poéticas sobre o amor e paçoquinha com brigadeiro (não seria “amor” e “paçoquinha com brigadeiro” a mesma coisa?) mostram a loucura de uma flor do campo que tem uma morada no nome, um “Lar”, onde os beija-flores buscam, de maneira dulcíssima, a calma para uma conversa às duas da madruga boladona. Na despedida, voam beijos imaginários mais doces que qualquer doce que se possa encontrar no fim de um arco-íris de algodão-doce. No fim, palavras voltam a ser só palavras, e eu e você voltamos a ser só dois avatares coloridos.
Ao fim deste malogro textual, foi consumido um total de 10 (Dez) balinhas de morango. Mas, convenhamos, ainda há muitos doces a se provar!
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Deus está mais gordo
Por diversas vezes já acordei antes do despertador tocar, sob o silêncio imaculado da falta de obrigação e fiquei a imaginar todas as pessoas que gostaria de abraçar. Um daqueles abraços que nos fazem perder um pouco de nós e ganhar um pouco do outro. Um daqueles abraços que deixa marca, que tira pedaço. Mas o dia segue, os compromissos chegam e eu aprendo novamente a dizer "oi" sem sentimentos, a desejar bom dia e a repetir aquele sorriso mecânico.
Ultimamente meus sinceros "bom dia" são apenas para os motoristas de ônibus.
Acho que há algo de secreto nos abraços. Algo de místico nos beijos. Não sei explicar porque, mas todos concordam que estes não se resumem a meros toques de pele. Os abraços, penso eu, surgiram na necessidade de troca de calor. E ao longo dos tempo, ao invés de salvar do frio, ele passou a salvar da solidão. Mas o beijo não faz sentido. Talvez o compartilhamento de bactérias nos deixe mais forte, não sei. Talvez tenha algo a ver com uma parte não física do nosso corpo.
Em muitos casos de exorcismos, por exemplo, os possuídos vomitam, ou expelem outros tipos de substância pela boca ao serem limpos. Mas não consigo ligar uma coisa a outra. Talvez o beijo seja algum tipo de exorcismo. Exorcismo da solidão. Exorcismo desse sentimento que fica martelando no nosso incosciente que a vida é difícil, que as semanas têm sido repletas de agonia pelo simples fato de estar vivo e não entender muito bem o mundo ao redor.
Sexo deve ser algo do gênero, mas minhas experiências sexuais ainda não comprovam muita coisa. Acho que o sexo tem algo inconsciente que se relaciona com a importância da vida, da reprodução da espécie, daquela frase que Deus disse: "Crescei-vos e multiplicai-vos".
Será que Deus imaginava que a gente fosse se multiplicar e crescer do jeito que estamos fazendo? Será que ele imaginava por exemplo que a gente iria criar a seringa? Por mais que ele seja o todopoderoso, acho improvável ele ter imaginado tudo.
E se ele não tiver imaginado tudo, será que ele não mudou de opinião quanto à ordem que dizia pra gente se multiplicar? Faz tempo que Deus não fala nada. E mesmo que ele tentasse falar com a gente, só mesmo abrindo os céus e dizendo "Prestem atenção, seus porras!", até porque o mundo tá cheio de cara dizendo que fala com Deus e que Jesus mandou umas mensagens e ninguém dá atenção pra essa galera.
No mínimo, acho que se Deus aparacesse, ele não seria o mesmo Deus que a gente conhece. Sabe quando a gente não vê alguém há uns tempos e quando vê ela sempre tá mais gorda ou com o cabelo diferente?
Definitivamente, acho que Deus deve estar psicologicamente mais gordo, ou pscologicamente com o cabelo diferente.
Mas se ele aparecesse e fizesse uma paletra, eu iria. E se no final ele abrisse um espaço para perguntas, eu já teria dois questionamentos prépalestra.
1) Disserte sobre beijos, abraços e sexo. Relacionando este último com a frase anteriormente dita por você. "Crecei-vos e multiplicai-vos"
2) Onde eu recebo meu certificado de que participei dessa palestra? Sabe como é, meu curso precisa de horas complementares...
Espero ansiosamente o apocalipse. Vai explicar um monte de coisa.
Ultimamente meus sinceros "bom dia" são apenas para os motoristas de ônibus.
Acho que há algo de secreto nos abraços. Algo de místico nos beijos. Não sei explicar porque, mas todos concordam que estes não se resumem a meros toques de pele. Os abraços, penso eu, surgiram na necessidade de troca de calor. E ao longo dos tempo, ao invés de salvar do frio, ele passou a salvar da solidão. Mas o beijo não faz sentido. Talvez o compartilhamento de bactérias nos deixe mais forte, não sei. Talvez tenha algo a ver com uma parte não física do nosso corpo.
Em muitos casos de exorcismos, por exemplo, os possuídos vomitam, ou expelem outros tipos de substância pela boca ao serem limpos. Mas não consigo ligar uma coisa a outra. Talvez o beijo seja algum tipo de exorcismo. Exorcismo da solidão. Exorcismo desse sentimento que fica martelando no nosso incosciente que a vida é difícil, que as semanas têm sido repletas de agonia pelo simples fato de estar vivo e não entender muito bem o mundo ao redor.
Sexo deve ser algo do gênero, mas minhas experiências sexuais ainda não comprovam muita coisa. Acho que o sexo tem algo inconsciente que se relaciona com a importância da vida, da reprodução da espécie, daquela frase que Deus disse: "Crescei-vos e multiplicai-vos".
Será que Deus imaginava que a gente fosse se multiplicar e crescer do jeito que estamos fazendo? Será que ele imaginava por exemplo que a gente iria criar a seringa? Por mais que ele seja o todopoderoso, acho improvável ele ter imaginado tudo.
E se ele não tiver imaginado tudo, será que ele não mudou de opinião quanto à ordem que dizia pra gente se multiplicar? Faz tempo que Deus não fala nada. E mesmo que ele tentasse falar com a gente, só mesmo abrindo os céus e dizendo "Prestem atenção, seus porras!", até porque o mundo tá cheio de cara dizendo que fala com Deus e que Jesus mandou umas mensagens e ninguém dá atenção pra essa galera.
No mínimo, acho que se Deus aparacesse, ele não seria o mesmo Deus que a gente conhece. Sabe quando a gente não vê alguém há uns tempos e quando vê ela sempre tá mais gorda ou com o cabelo diferente?
Definitivamente, acho que Deus deve estar psicologicamente mais gordo, ou pscologicamente com o cabelo diferente.
Mas se ele aparecesse e fizesse uma paletra, eu iria. E se no final ele abrisse um espaço para perguntas, eu já teria dois questionamentos prépalestra.
1) Disserte sobre beijos, abraços e sexo. Relacionando este último com a frase anteriormente dita por você. "Crecei-vos e multiplicai-vos"
2) Onde eu recebo meu certificado de que participei dessa palestra? Sabe como é, meu curso precisa de horas complementares...
Espero ansiosamente o apocalipse. Vai explicar um monte de coisa.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Democracia autoritária
Nada mais intolerante do que uma "democracia jovem", como a nossa. Após 21 anos de ditadura, ainda transparecemos pouco capazes de respeitar a opinião alheia, sem julgamentos, sem desmoralização. É uma infantilização aguda, birra de divergências. Como citei em um artigo passado, é uma afetação em querer ter razão, como dizia Camus: "a obsessão em ter razão é a marca suprema de uma inteligência grosseira".
Não quero dizer, caro leitor, que politica não possa ser discutida, debatida, argumentada ... oras, afinal, é uma liberdade de expressão que é um direito totalmente garantido por lei, e sim, é um exercício a cidadania. O fio da meada, é como pode ser propagado sem interferir a liberdade do outro. Um exemplo claro disso é a imposição de pensamento que aconteceu no debate da record pelo candidato Levy Fidelix - partido renovador trabalhista brasileiro - que ganhou repercussão por defender de forma grosseira sua aversão as causas homoafetivas e tudo que a engloba. Típica "picuinha' da bancada conservadora que adora "se meter na vida alheia e enfiar suas verdades goela abaixo". Uma tragédia!
Militantes de todo o brasil que, constantemente defendem causas do tipo, parecem sofrer de uma Alzheimer temporária quando a questão é diretamente ligada com sua posição politica. Uma contradição pouco percebida aos eufóricos cidadãos conscientes. Liberdade, igualdade, igualdade, ops, igualdade. Hmm ... Estaria, então, todo o sentido de democracia perdido em meio ao achismo ditatorial das opiniões (?) Tantas questões ...
Dilma, Aécio. Bolsa Família. Economia. Mensalão. Privataria Tucana.
As opções foram lançadas e as tendências disseminadas ... 'Se é pra errar, prefiro errar "diferente".
Entre aspas.
*risos*
domingo, 5 de outubro de 2014
A Arte da Guerra - Sun Tzu
Disseram-me que esse livro seria uma afronta egoísta ao bem estar humano como um todo, que ele me faria ver a vida como uma guerra e que isso não era bom. Mas o ser humano é engraçado e o cérebro humano terrivelmente medonho.
Para mim é impressionante como cada um de nós temos visões individuais sobre as coisas. Sobre como cada um de nós temos um olhar apurado para certas inclinações que os fatos, obras e acasos podem tomar ao nosso redor. Isso é fascinante e ao mesmo tempo imperceptível aos olhos da maioria. Somos cegos todos os dias pelo fato de procurarmos um bem maior, uma vida em harmonia e uma boa convivência. A gente perde um pouco de nossa natureza ao negarmos nossos instintos. Não sei exatamente se isso é bom ou ruim, mas sei que isso acontece. E não é pouco.
A arte da guerra é um tratado escrito por Sun Tzu em forma de notas de alguma espécie de diário de bordo, divididas em capítulos que tratam de temas específicos, mas todos voltados para a temática da guerra. Ao longo dos séculos, foi tido como leitura obrigatória para generais de exércitos estrategistas e por entusiastas de movimentos políticos revolucionários. Mas em algum momento, alguém presumiu que poderia funcionar como metáfora. E lá vamos nós...
A arte da guerra passou a ser não mais um tratado técnico e de grande valor de cunho militar, mas um guia forçado e cabal de Administração empresarial e marketing. E só se entende o porque quando se questiona para onde foram as guerras no nosso saudoso século vinteum.
Mas isso não necessariamente vem ao caso. De mimimi capitalista/comunista a internet tá cheia. Meu propósito é só registrar algumas ideias que tive enquanto lia a obra.
O que é uma guerra se não pelo menos um par de moças trocando puxões de cabelo?
A vida não é necessariamente uma guerra. Muitos dos preceitos que ele fala no livro são baseados no inimigo. Como vou, por exemplo, espionar meus inimigos ou forçar ele a fazer algo que me leve a uma conquista maior se o meu inimigo é a vida?
Não. Por mais que meu pessimismo seja grandioso e válido em muitos dos momentos, eu não posso ser pragmaticamente prático e dizer que a vida é uma guerra. Mas também não posso negar que ela é uma trincheira. Guerras são feitas com trincheiras. E eu mais uma vez começo a construção de uma metáfora. Uma destruição de uma, talvez.
Volto a perambular por aqueles velhos questionamentos dos filósofos eternos: o que é tudo isso?
E sem respostas, me resigno apenas a anular o fato de que a vida é uma guerra. E tentar esquecer que talvez ela seja uma trincheira.
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Texto Invisível do João: "A única pessoa que amei"
"Foi muito estranho quando eu abri os olhos. Era um campo vastíssimo com gramíneas esverdeadas como a cor daquele sorvete que nunca provei. Não sabia o que estava fazendo por ali; nem sabia que lugar era aquele.
Foi quando o vi. A única pessoa que amei na vida. Estava irreconhecível, com o cabelo enorme, tipo o do Jimmy Hendrix, o rosto era apenas um borrão na minha memória e tinha um aspecto sereno que nunca tinha visto nele antes. Não lembro de muita coisa, fiquei muito nervoso; só lembro que ele me disse que não era bom estar vivo e, então, estendeu seu dedo indicador, apontou pra algum lugar. Falou: "- É ali que a sua mãe dorme".
Era pesado, era difícil olhar pra ele de novo depois de tanto tempo, tinha tanta novidade pra contar, tanta saudade pra matar...
Quando criei coragem para falar algo, o fortíssimo vento da vida real soprou minha lembrança vaga como se fosse uma escultura de areia. Minhas lágrimas molhavam meu travesseiro, porque desciam incessantemente ao lembrar que eu devia ter dito que o amava antes que aquela lâmina fizesse seu sulco em seus pulsos morenos. Mas agora é bastante tarde. Eu só quero fugir de vocês, colocar meus fones, dar play novamente em Stairway to Heaven, voltar pra minha ca(l)ma e dormir."
Foi quando o vi. A única pessoa que amei na vida. Estava irreconhecível, com o cabelo enorme, tipo o do Jimmy Hendrix, o rosto era apenas um borrão na minha memória e tinha um aspecto sereno que nunca tinha visto nele antes. Não lembro de muita coisa, fiquei muito nervoso; só lembro que ele me disse que não era bom estar vivo e, então, estendeu seu dedo indicador, apontou pra algum lugar. Falou: "- É ali que a sua mãe dorme".
Era pesado, era difícil olhar pra ele de novo depois de tanto tempo, tinha tanta novidade pra contar, tanta saudade pra matar...
Quando criei coragem para falar algo, o fortíssimo vento da vida real soprou minha lembrança vaga como se fosse uma escultura de areia. Minhas lágrimas molhavam meu travesseiro, porque desciam incessantemente ao lembrar que eu devia ter dito que o amava antes que aquela lâmina fizesse seu sulco em seus pulsos morenos. Mas agora é bastante tarde. Eu só quero fugir de vocês, colocar meus fones, dar play novamente em Stairway to Heaven, voltar pra minha ca(l)ma e dormir."
sábado, 9 de agosto de 2014
senta o dedo
7 de setembro de mil novecentos e noventa e seis.
tupac amaru shakur morria. dois meses depois eu vinha ao mundo, besuntado em líquidos uterinos e placentários. onde eu estou hoje? onde tupac está?
duas perguntas sem resposta. mas enquanto o brasil preparava seus desfiles de independência, glorificados pelos cavalos e seus cocôs, tupac vivia suas últimas horas. não sei se de forma tão poética quanto imagino, pois não entendo de fusos e nem sei direito o que é gmt. mas ainda assim, nada faz sentido. tudo que ele viveu, pensou e maquinou para que desse certo foi levado embora naquela noite de setembro. pelo misticismo, temos virgens e libras em setembro. pela minha consciência quase nula neste mundo, não temos muita coisa a não ser a nossa própria cabeça, corpo e ideias.
dezoito anos na cara. escrevendo com letras minúsculas como um ato de desespero em busca de uma identidade. "João, aquele cara que escrevia com letras minúsculas". "mas sempre que ele escrevia o nome dele, era com letras maiúsculas. talvez isso demonstre um fio da psycho dele que se achava superior ao mundo por n motivos" "não sei. talvez. tinha o fato de ele quase sempre escrever data e números por extenso" "talvez demonstre uma aversão à quantificação das coisas, talvez uma crítica à nossa sociedade construída sob números e suas manipulações" "vai ver era só o jeito dele, sem nenhuma mensagem por trás de tudo aquilo ou qualquer tipo de ideologia maior. vai ver ele só queria fazer as coisas do jeito dele pra se sentir um pouco mais livre do peso que o mundo tem" "dizem que ele gostou de uma mulher uma vez" "não sei".
então desolados, olham pela janela e pensam no meu rosto.
o que faria tupac shakur no meu lugar?
vínculado à minha realidade, acho que ele seria só mais um. acho que todo mundo necessita dos cavalos de tróia e das agonias que possuem. porque talvez o sentido da vida seja apenas ser um ponto único que é epicentro de tudo que não existe.
tupac amaru shakur morria. dois meses depois eu vinha ao mundo, besuntado em líquidos uterinos e placentários. onde eu estou hoje? onde tupac está?
duas perguntas sem resposta. mas enquanto o brasil preparava seus desfiles de independência, glorificados pelos cavalos e seus cocôs, tupac vivia suas últimas horas. não sei se de forma tão poética quanto imagino, pois não entendo de fusos e nem sei direito o que é gmt. mas ainda assim, nada faz sentido. tudo que ele viveu, pensou e maquinou para que desse certo foi levado embora naquela noite de setembro. pelo misticismo, temos virgens e libras em setembro. pela minha consciência quase nula neste mundo, não temos muita coisa a não ser a nossa própria cabeça, corpo e ideias.
dezoito anos na cara. escrevendo com letras minúsculas como um ato de desespero em busca de uma identidade. "João, aquele cara que escrevia com letras minúsculas". "mas sempre que ele escrevia o nome dele, era com letras maiúsculas. talvez isso demonstre um fio da psycho dele que se achava superior ao mundo por n motivos" "não sei. talvez. tinha o fato de ele quase sempre escrever data e números por extenso" "talvez demonstre uma aversão à quantificação das coisas, talvez uma crítica à nossa sociedade construída sob números e suas manipulações" "vai ver era só o jeito dele, sem nenhuma mensagem por trás de tudo aquilo ou qualquer tipo de ideologia maior. vai ver ele só queria fazer as coisas do jeito dele pra se sentir um pouco mais livre do peso que o mundo tem" "dizem que ele gostou de uma mulher uma vez" "não sei".
então desolados, olham pela janela e pensam no meu rosto.
o que faria tupac shakur no meu lugar?
vínculado à minha realidade, acho que ele seria só mais um. acho que todo mundo necessita dos cavalos de tróia e das agonias que possuem. porque talvez o sentido da vida seja apenas ser um ponto único que é epicentro de tudo que não existe.
domingo, 3 de agosto de 2014
Refúgio

mesclas de sentimentos podem desatar como embaraçar misteriosos "nós" na garganta, nó que desencadeia sensações de origens destrutivas. Pode-se amar e odiar no mesmo instante, mas o ódio sempre se faz constante em maior proporção. O ódio nada mais é do que um amor ferido, espancado, judiado sem precisar usar-se da força física para tal. Palavras fazem sangrar, um homocídio a cada sílaba. Uma hemorragia interna a cada segundo, é o estado de quase morte, sendo este o sabor da vida usufruída da beira mais amarga, mais ingrata. Livros de autoajuda não passam de sanguessugas sem utilidades, porque palavras, meu caro, não pausam hemorragias. Nada mais são do que uma anestesia diária, sem conter a dor, apenas à manipula. Quando a mente definha, o corpo padece. Derramar-se em linhas ... Derramar-se em linhas ... E os pensamentos é a manivela para a vida ou aos cacos que restam dela. É o veneno e a libertação. Deus e o diabo andam de mãos dadas em suas ruelas. Em cada refúgio. E a lágrima de gosto ameno ganha a dramaticidade de hollywood sem encenação ... Há fragilidade é o que se tem de mais íntimo, típico de fundo do baú. Presente em cada abrir dos olhos. Entorpecer em delírios e envolver-se neles é a dose de ânimo que move as pernas, no fim das contas ...
terça-feira, 29 de julho de 2014
dois minutos pra daqui a pouco
É bem verdade que tenho um acervo grande de textos engavetados, os quais estão sempre na inércia da minha falta de vontade de lembrar das coisas. A vontade de esquecer já é lembrar. Vez ou outra abro a gaveta e vou passando de um em um. Algumas boas geniais e outras boas ideias derrotadas. Há um nome de uma mulher muitas vezes repetido lá. Ao que me lembro, eu me enrolei com ela numa espécie de briga de gatos e acabei no chão. Como já disse, há nessa gaveta um equilíbrio: coisas boas e ruins. E tudo que tá lá tem uma característica em comum: me faz rir.
E num mundo de timelines de facebook adubadas com o ego medonho alheio, vídeos virais que de tão engraçados não fazem sentido e imagens tão efêmeras quanto o piscar de olhos do cachorro, chega a ser um pouco estranho rir de si mesmo.
Sou como um homem numa praia, cansado. Tocando os grãos de areia e sentindo que há uma energia no mundo que liga todas as coisas. Um homem que há poucos instantes se debatia, esbarrando no desespero da falta de ar e na angústia de não poder realizar os sonhos que se acumulam na caderneta de poupança. Um homem que se engasga com a água e com a vida ao mesmo tempo. E a salvo na areia, não acredita ainda que vai conseguir tudo o que planeja antes de dormir. Mas ele se sente vivo. Se sente apto a não desistir. Olhando para o mar, que quase o engoliu, ele se sente como um pedaço do mundo. Mais uma partícula do espaço tempo que não somada a tudo, gera um todo. E um todo repleto de caminhos.
Não tenho me importado muito se as promessas são cumpridas ou não, se as apostas são ganhas ou não. Mas não é um tanto - efemeramente - belo o fato de que eu posso apostar e prometer?
Olhar pro começo e ver que já se saiu do lugar.
Há dias em que o gosto levemente amargo do álcool não é sentido pelo nosso paladar. Há dias em que o álcool na boca é doce. Tem gosto de um sentimento estranho, o qual eu não sei explicar. Um gosto que entra em contato com meu cérebro e diz que há um ponto no universo que nada disso tem valor, mas que ao mesmo
tempo, nesse mesmo ponto, tudo isso tem o maior valor do mundo: ser único.
E há dias incrivelmente surreais em que o gosto do álcool me faz acordar. Mas não há álcool. E é aí que está a mágica. Não há álcool. Apenas o sentimento do mundo.
E, na boemia de minha nóia, a gorçonete parece ter uma face. Uma máscara perfeita de si mesma. E eu não consigo tirá-la de seu rosto. Vou perguntar depois onde ela comprou essa máscara. Como eu queria ter um carnaval só pra mim e então ir na loja que ela indicou, comprar uma máscara igual.
Como eu seria lúcido.
fiquem com esse som que eu já não se é meu ou dele.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Rabiscos

Nesse fim de segunda-feira - segunda chuvosa e, quem sabe, comemorada no sertão - acabo percebendo que o dia passou rápido e encharcado dessa minha preguiça que agradavelmente me acompanha nesses constantes dias mortos. Continuo com essa mania retrô de escrever no papel antes do virtual ... Nesse curto espaço de tempo me vejo "bombardeada" de informações. Morre Suassuna, Ubaldo e Rubem. Israel deita e rola em corpos palestinos e, de brinde, zoa o Brasil - novo "Tyrion" mundial - . Aviões são alvos de mísseis, holandeses choram. E eu, "mariazinha", sendo espiritualizada na paraíba. Palestras visando reflexões para uma vida voltada ao bem próprio e comum, oficinas e mais palestras. Orações, confissões pessoais, emoções à flor da pele. Arrepios. Choros. Deus. Nesse contraste, volto ao ponto de partida. Meu quarto, dia nublado, gatinha de estimação e aquela xícara morna de café. Artigos, amores, desejos, papos curtos, desvariação ... Penso como pode ser a vida sem lastimação.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Unhas
Minhas unhas estão enormes, tão grandes pra caramba. Tava
percebendo isso enquanto fazia uma leitura chata, daquelas bem sacais, sabe? As
palavras lidas já não codificavam nada na minha cabeça e eu estava imerso nas
entrelinhas do meu pensamento. Puta que pariu, essas unhas tão grandes pra
caralho! Se fosse grande por ser grande, tudo bem. Mas não é simples assim. Elas estão sujas e afiadas, andam machucando muita gente. Gente que eu não
gostaria de arranhar ou de assustar com esse aspecto tenebroso. Acho que a
sujeira vai aumentando toda vez que arranho alguém. Mas é sem querer, tá ligado?
Eu não quero ferir ninguém, mas sempre acaba acontecendo. Porra, essas unhas
realmente estão enormes. Às vezes eu tento esquecer disso. Mas toda vez que
esqueço, acabo por arranhar alguém e me lembro dessas coisas monstras que tenho nos dedos.
Se eu já pensei em cortá-las? É óbvio. Mas não é uma tarefa simples, elas
voltam a crescer, a acumular sujeira; também há os relatos alheios e as
diversas histórias tristes que os outros contam a respeito das malditas unhas.
Pra
ser totalmente sincero, a ideia de cortar minhas mãos me parece mais atraente.
E mais fácil pra acabar com esses problemas de maneira definitiva. Quero uma
folga pra mim e pros outros. Quero fugir sozinho pra bem longe ou que os outros
fujam juntos, pra eu poder ficar “enfim só”. Não quero ninguém pra me lembrar do
que eu sou; ninguém pra falar das minhas unhas. Quero encontrar refúgio pras minhas
mãos. Bolsos, luvas, outras mãos, sei lá...
domingo, 13 de julho de 2014
Nem todas as vezes
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| promessas e apostas. não cumpridas as primeiras e perdidas as segundas. |
E quem imaginaria que dez anos depois eu me sentiria mais vivo cortando bifes de uma peça de carne de três quilos?
A faca vazia de sentido escorrendo pelo sangue escondido por entre os sulcos visíveis a olho nu. Nada poderia me abalar.
Essa tosse seca que me incomoda há duas semanas não poderia me incomodar jamais. O medo ainda infantil de que talvez seja uma pneumonia ou algo parecido, mesmo que eu não saiba se os sintomas condizem. O fato de que hoje no almoço não vai ter suco. Dali há alguns minutos irei pegar o copo de vidro meticulosamente planejado pela ciência do design e despejar algumas mls de água para empurrar a espécie de macarronada. A falta de tempero completo no armário e a ausência da minha mãe. Nada me abala mais. Há tempos que não há tempero nem mãe. Há tempos que a ciência do design vai ganhando espaço na classe média baixa. Há tempos que a classe média é composta de pessoas tristes.
Eu poderia não ter enrolado tanto para falar dos teus olhos. Esses meio imaculados, meio protegidos por uma aura divina que não cansa de me proteger. Mas tudo está ligado, como diz você. O fato de eu estar cortando bifes para 3 pessoas e você ser vegetariana. O fato de que eu odeio médicos e sua hipocondria. O fato de eu não acreditar mais nem na areia da praia que supostamente se esvai das minhas mãos enquanto o sol se põe e você acreditar que o barulho do mar é a coisa mais tranquilizante do universo.
Não, não acredito mais no amor. Não acredito que um homem possa amar uma mulher e que estes possam viver felizes para sempre. Mas no fim das contas, acho que algo parecido com isso entre eu e você não duraria muito. Acho que você deve saber masturbar um homem muito bem, apesar de não saber ainda deste fato. Acho que no momento peculiar em que o rapaz gozar, você meterá a boca lá e engolirá tudo com a sede de um sobrevivente de uma catástrofe natural. Mas não desejo ser esse cara. Hahaha. Acho que você daria um apelido para o meu pênis.
Você, que odeia minhas contradições, não acreditaria se eu te dissesse essas coisas. Nem acompanharia a falta de padrão dos meus pensamentos. Mas seus olhos não deixam de ser o par de conjuntos de células e sistemas biológicos mais bonitos que eu já vi.
A diferença entre mim e um homem apaixonado é que ele está disposto a viver por sua paixão. E por você eu estou disposto a morrer. Ou até a encontrar um significado para a nossa existência que te convença a suicidar-se comigo. Mas se eu descobrisse o sentido disso tudo, ou mesmo tivesse uma prova cabal de que não faz sentido, se deus chegasse em meu ouvido e dissesse que tudo isso que a gente faz não tem significado nenhum, eu não te diria. O sorriso que tua fé te dá eu jamais poderia dar. Nem ao menos pra mim mesmo. E eu acho que nunca terei isso. Nem a fé nem o sorriso.
sei lá
quarta-feira, 25 de junho de 2014
sobre a frustração da vitória
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| garoa |
Por mais que o mundo nos ensine o otimismo, eu observo muita coisa com o pensamento de "isso não vai dar certo". Desde o seminário do semestre passado que eu tive que inventar uma desculpa pra não fazer até os próprios protestos do "Gigante Acordado". Durante as passeatas e etc, o Brasil estava dividido em dois: aqueles que queriam ir às ruas e àqueles os que iam contra o movimento. Eu estava deitado na minha cama pensando "nada vai mudar". E nada mudou. E não estou defendendo quem era contra os protestos. Eles também não mudaram nada. Sabe, é esse o problema: todo mundo acha que pode mudar, mas ninguém percebe a natureza é a força mais forte. A gente só tá aqui porque o acaso faz com que as condições sejam propícias. Assim como a criação das nossas leis, a eleição dos nossos políticos e tudo mais. O problema de verdade, é que a gente é educado pelo medo.
Desde criança, nós aprendemos, por exemplo, que não devemos ir para a rua porque o homem do saco vai nos pegar, ou porque o bêbado vai bater na gente. Na maioria das vezes, nós não temos acesso aos valores morais ou lógicos que transcendem o "não vai pra rua, moleque". E quando crescemos, essa metodologia de ensino não vai embora. Na escola, por exemplo, aprendemos o conteúdo e tiramos notas boas - ou apenas suficientes para passar - por simplesmente termos medo. Medo de decepcionarmos nossos pais, medo do estigma de ser um reprovado ou mesmo medo de passar por todo o terror de mais um ano letivo em nossas vidas.
Quando eu comecei a perceber essa lógica, eu achei que chegaria um momento em que todo mundo passaria a não ter mais medo e a seguir ideais e fazer coisas por simples e pura vontade. Mas não. Isso só acontece se as pessoas entenderem essa lógica e é aí que mora a desgraça: elas estão presas pelo medo.
E as pessoas dos protestos de 20 de julho, das passeatas anticopa e os revolucionários das redes sociais perderam de repente o medo. Mas eles perderam o medo de só um dos lados. Eles perderam o medo de que as coisas continuem indo para o lado que estão indo e cheguem no fundo do poço, mas não perderam o medo de que a superfície do poço seja algo mais terrível que a metade dele.
Quando eu percebi isso, no ensino médio, eu achei que quando eu entrasse na faculdade ia ser diferente. Agora que estou na faculdade, percebo o quão complexo esse problema é, pois meus professores educam por medo, meus colegas de turma estão o tempo todo se borrando nas calças e até mesmo a didática que percorre os corredores tem medo.
Foi então que eu tive uma ideia. A grandiosa ideia de escrever um trabalho acadêmico sobre toda essa coisa mas aí eu percebi que a estrutura da ciência também tem medo. Quando alguém diz que tem um problema, essa pessoa tem que ir lá e mostrar uma solução para o problema, segundo a ciência. Mas eu não tenho uma solução para a forma com que a educação é construída. Eu, mísero aluno de uma licenciatura querendo derrubar séculos de estudos pedagógicos...
E então eu me ponho no meu lugar. Pego os ônibus lotados, sento na cadeira longe do ar condicionado para não estimular minha rinite e observo o mundo, derrotado. Percebo todos os homens terrivelmente amedrontados. E internamente, vejo seus rostos, tristes, pois não sabem o que estão fazendo aqui. Todos com medo. Medo de ter medo. E depois, eu também percebo que talvez, se não fosse assim, seria pior. Você consegue perceber que nada nesse mundo tem garantia, que nenhum barco nesse mundo tem um cais para se amarrar?
E por mais que eu entenda que nada tem garantia, eu continuo acreditando que algo vai valer à pena. Só não sei quando ou onde ou como. É a mesma motivação que fez a Bósnia simplesmente não sair de campo e voltar para casa e fazer suas orações diárias à Alá.
No fim das contas eu estou preso também, pois tenho medo de ter medo e também de não ter medo nenhum. Quem diz que não tem medo, na verdade tem fobia de medos mas não sabe.
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Egos, ecos
Confesso, sempre fui uma little girl de pensamentos íntimos um tanto prepotentes. Sobre as pessoas, principalmente. Oras ... sempre tão imediatas e vagas. Nesses últimos dias em que sentei no sofá - sem muitas opções, sem ônibus e chuva- para contemplar os jogos da "Fifa Cuf", um fato fora de campo ofuscou minha atenção, sim, os focos ainda restantes de "manifestações"- com algumas bandeirinhas partidárias, claro- contra os gastos, excessos e roubalheira na Copa do mundo no Brasil - esse diabo maligno culpado por todas as mazelas dessa nação - sem tanta força ou tanta atenção como o eufórico estopim do ano anterior que fez transbordar de selfies as redes sociais, cheias de cidadões conscientes e ativos em prol de um Brasil mais justo, os mesmo, diga-se de passagem, que agora transbordam os estádios e as ruas cantando com muito "orgulho e amor" o hino nacional. Oh, desculpe. Sou daquelas que perde o amigo mas não a piada. Voltando a questão. Não quero dizer, my lady our my lord, que os tantos restantes que continuaram na "luta" são uma piada, ao contrário, democraticamente estão manifestando sua indignação por aquilo que acreditam. Mas, o que eles acreditam? Que houve muita sujeira, trapaça e contratos milionários superfaturados na contrução dos estádios, vias e etc (?) Sim, de fato houve. E que todo esse dinheiro deveria ter sido destinado para educação, saúde e segurança (?) E, digo mais, que todos os outros do mundo são imbecis alienados e que eles são os únicos bem domesticados para que todo esse sangue derramado enquanto o resto do país deleita-se com caipirinha e samba fará juz a sua luta heróica - que drama, bitch please - (?) Bem, eis as questões. Como boa descrente da bondade gratuita alheia. Sinto dizer, meus caros, que a ideia de que "sem a copa" o governo investiria - o que deveria, mas não - milhões/bilhões em 4 anos nesses três viés tão batidos e rebatidos nesses últimos tempos é, no mínimo, fantasioso. Não seríamos uma país de primeiro mundo se não tivesse "copa". Essa demonização disseminada é tão tola quanto as vidraças de bancos quebradas por black blocs que acreditam travestir seu fetiche e, quem sabe, vocação por arruaças banais em discursos chulos. Assim como os tantos, eu também acho justo - por desconfiavel que possa parecer - e válido as formas expressivas de indignação/protestos/buscapordireitos, afinal, são as armas democráticas que a massa dispõe. Apesar do meu egoísmo discreto, também penso que todos merecem oportunidades para conquistarem seu lugar ao sol mas achar que egos hipócritas que costumam exaltar demasiadamente seus clichês típico de embalagem de margarina e ecos que repetem os mesmo sem a mínima análise que seja, feito papagaios bem alimentados, tenham chances de iluminar a direção de um país para o outro lado do arco- íris ... bem, talvez, com uma reciclagem e teorias menos juvenis visando de fato objetivos sem que suspirem por fama, holofotes ou cobertura da mídia, pode-se sonhar com uma acesa velinha de lampião. Quem sabe, quem sabe ...Ah, nada como voltar ao meu doce veneninho prepotente ...
sexta-feira, 13 de junho de 2014
Ensaio sobre a vida
Nesses últimos dias em que nos encontramos em uma mescla eufórica de férias e futebol, pego-me em mais um desvario sobre a vida. Não de forma erudita ou tampouco com olhos e mente muitas vezes tomados pela insensibilidade que os dias nublados fazem me envolver. Mas, sugerir-me uma forma simples e sutil de olhar a vida pelo buraco da fechadura - assim como o menino Nelson via o amor - é, talvez, um dos maiores desafios que a vida, em sua essência, pode propor. Não estou dizendo, caro leitor, que devas acordar às cinco da manhã para contemplar o sol nascer ou, quem sabe, viajar para o campo desfrutar dos seus ares e canto dos passarinhos. Não, absolutamente. O buraco da fechadura é a forma despretensiosa de perceber o imperceptível, a raspa do tacho, o fato que não dão importância, o sorriso sem dentes, a rosa que não brotou, a palavra contida, o espetáculo sem aplausos. É a valorização do desvalor. Sinto mas a vida, meu bem, sempre cobra mais do que simples ensaios.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Pensamento meigo e abusado.
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| bad romance > aquarela do brasil |
(Não vou discutir moral desses pensamentos nem o sentido de todas essas coisas, pois meu existencialismo pessimista só tem me degradado nos últimos tempos. Não que essa degradação seja ruim também, mas não vem ao caso. Só quero falar sobre a humanidade, generalizando o quanto for possível para descarregar um pouco das angústias que a masturbação existencialista me proporciona)
Daí a gente cresce mais um pouco e se vê agregando valor à nossa forma de fugir da realidade e desprezando cada vez mais a dos outros, quando é diferente da nossa, é claro. E chega um momento em que você compra um óculos de aro grosso, compra uns livros e acha que o mundo está aos seus pés. E para implementar com mais força essa ideia, o mundo aplaude seus óculos de aros grossos e os livros que você comprou e leu e discute com seus amigos e posta citações nas redes sociais. Mas isso não é nada.
Eu sou um tanto viciado em alguns jogos onlines, ouço com frequência Anitta e Lady GaGa e admiro li a coletânea "23 livros de poesia de Drummond de Andrade". Isso não faz de mim especial. Este só sou eu atendendo aos desejos que sinto e só. Todas essas coisas, por mais que elas não tenham nada em comum, elas continuam tendo algo em comum (hã?): elas são fugas da realidade. Elas se utilizam de objetos do mundo real para criar realidades paralelas as quais nós podemos interagir e trazer como complementos para nossa vida, seja através de análises ideológicas, metáforas ou expressão artísticas (inclua aqui a criação de mais realidades paralelas, como esse blog ou os artigos que Thalita lê).
Até então, o jogo online e "Dom Casmurro", de Machado de Assis para mim tem a mesma função. E há algum tempo percebi que para o mundo não é bem assim. E eu, como um bom ignóbil no seu mundo invisível, desconstruirei isso com todo o prazer.
Há alguns anos, percebi que eu tenho o mesmo peso no mundo que um Professor Doutor em Línguas Estrangeiras. E não estou desmerecendo o Doutorado dele, o Mestrado ou todos os anos que ele passou estudando na academia, só estou dizendo que eu também sou um ser humano e que a única coisa que me diferencia dele é o que a teoria da identidade de Kant prega: ele apenas tem uma visão de mundo diferente da minha. Nem melhor nem pior, apenas diferente (parece slogan de alguma campanha de marketing fula).
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| as inimiga chora |
nsar dessa forma, eu digamos que alcancei o nirvana do senso crítico. A diferença entre mim e o Professor Doutor em Línguas Estrangeiras (vamos chamá-lo agora de apenas PD) é que o senso crítico dele é focado em um ponto do mundo. Ele lê muito, sabe das teorias linguísticas pré-modernistas da Rússia de Lênin, sabe dos trejeitos literários dos contos pós-modernistas de Tchékov e tudo mais. O PD sabe até mesmo que não se deve usar mais hífens como os que eu usei algumas orações atrás. E eu, o simples Neto, licenciando de informática, aluno do instituto federal não sei de metade dessas coisas que ele sabe. Mas eu consigo extrair sentimentos e pensamentos do hit "Meiga e Abusada", de Anitta. Consigo equiparar Lady GaGa e Drummond sem me sentir pretensioso, sob o olhar mais simples da coisa. E não estou dizendo que o PD não tem capacidade de fazer isso, pelo contrário. Ele tem até mesmo mais bases para fazer isso do que eu, dados os seus conhecimentos técnicos sobre linguística e literatura que poderiam ser aplicados de forma científica sobre as letras de Anitta. Mas ele não foi educado para isso. E eu não entendo o porque, já que todos os supostos objetos de estudo científico que eu citei acima são, independente de outras classificações, fugas da realidade.
E outra: o PD foi educado para não perceber certas coisas. Foi educado de forma que sair da "Linha imaginária de crítica filosófica" parece perda de tempo. E eu me pergunto, nos dias de hoje, porque Anitta não figura entre os grandes nomes da arte brasileira, já que ela produz uma obra, executa a mesma e algumas pessoas gostam e outras não? Entendem que não há nada que diferencie ela de Vinícius de Morais, em termos gerais?
E porque o PD não consegue perceber isso? Porque nossa educação é baseada no medo. E ele tem medo de perceber que tá errado e de se sentir obrigado a virar contra um mar de acadêmicos barbudos, que teorizam sobre a cor do vestido que a personagem usava enquanto descia as escadas, descrito em 3 páginas extremamente monótonas de "Senhora", de José de Alencar.
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| "Esse tal de Neto... kkk Só fala bosta" DRUMMOND |
domingo, 25 de maio de 2014
Domingos
Tia "bibi" olhava desolada o enorme buraco em seu quintal, consequência de um vazamento. Lembrava atordoada da noite passada, na qual seu filho Beto quase foi devorado por aquele cretino buraco que mais lembrava a boca de um tufão. Andando sorrateiramente os quatro cantos da casa, alarmou-se:
- Beto! Ligue para todos os seus tios, vamos fazer um mutirão. Família serve pra isso mesmo.
- Mas, mãe. Hoje é ...
- Sem mais, Beto. Diz que terá feijoada!
Beto sem alternativa acabou obedecendo simultaneamente.
- Alô, tio Pelé?
- Ôh, Betão! Cadê a bênção, menino?!
....
- Alô, tio Pedro?
...
- Isso mesmo. Feijoada.
Casa cheia. Tia bibi se desdobrava em duas para relatar a lástima da terrível "cratera" em seu quintal e para dar conta de encher a barriga daquela gente que mais parecia lagartas famintas seguindo o delicioso cheiro da sua feijoada.
- Ôh, bibi! Trás aquela cervejinha pra acompanhar.
- Mãeee!!! O léo derramou o feijão todo no sofá.
Tia bibi, coitada. Corria de um lado para outro.
Exclamava:
- Calma, minha gente!
Intimidava:
- Desce daí, peste. Você vai cair.
Acarinhava:
Acarinhava:
- Não acabou, não. Já coloquei mais água no feijão!
Fim do dia.
E lá estava tia bibi, olhando desolada (...)
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