Esse texto começa comigo, em plena madrugada de sexta feira indo jogar o lixo na lixeira. Lixo orgânico, pra ser mais específico. Não, acho que não. Acho que começa hoje mais cedo, quando vimos aquele gato morto no meio da rua, com o cérebro esmagado. E torcemos para que um segundo carro passasse por cima, só para piorar mais a situação. Como se os problemas do mundo não fossem bastante.
Apesar de não ter feito promessas ou planejado metas, este ano estou disposto a ir em frente nas coisas. Independente da minha real vontade, do medo das consequências e tudo que envolve minhas decisões, estou definitivamente deixando o acaso me levar. Será que não estou me repetindo demais, sendo o mesmo mais uma vez? O mesmo que na verdade tem um toque de único quando tenta achar um erro em si mesmo. Mas sem objetivos, apenas desanda em escrever um texto qualquer para um blog sem renome no meio da internet.
Estou à espera de minha câmera fotográfica nova. Registrar para num futuro, próximo ou não, as curvas do teu corpo, a forma como as luzes caem sobre seus cabelos ou como os teus lábios são sombrios enquanto comes alface com azeite. Eu acho até graça do teu vegetarianismo. É um amor estranho esse que você tem pelos animais. Eles não fazem nada pra você, só servem para serem observados por esses teus olhos dignos de contos de Caio F. Abreu. E você os observa, filosofa sobre o mais profundo induto da consciência humana, inspirada por uma besta que demonstra felicidade balançando o rabo. Mas não posso mesmo falar mal do teu amor por animais, afinal, se não fosse ele, talvez eu não merecesse nem ser cobaia de teus olhos. E você me olha com esses olhos de quem tem uma dieta que faz mais sentido que a vida besta que levamos.
Estou a espera de muitas coisas, na verdade. Uma vida feita de esperas e atrasos. Essa vontade de ler um livro, de fazer um filho e abortá-lo. Colocar em palavras todas as pequenas coisas que meus olhos veem no cotidiano burlesco e calourento. Tenho que arrumar mais coisas pra contar, pra fazer. Se não começar a me distrair por agora, vou entrar num caminho sem volta para o ostracismo neste universo que eu mesmo estou criando. É como se eu quisesse ser ídolo de mim.
O fato é que: no alto de minha jovialidade, não sei se minha vida começou a acabar ou se ela está começando agora, mas pela primeira vez, sinto que algo está acontecendo. Algo está se movendo, dentro do repouso universal de heráclito que aprendi no ensino médio, mas que tive que pesquisar agora para ter certeza quanto à teoria e não ser falho em minha referência. É uma ladeira. O que haverá lá embaixo? talvez um espelho. talvez a física esteja reversa na minha metáfora e eu esteja subindo, ao sabor da gravidade. tudo é mais complexo do que parece. inclusive a simplicidade.
sábado, 31 de janeiro de 2015
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Dez Balas de Morango
Acabei de voltar da cozinha. Lá, por aquelas terras habitadas por formigas silenciosas e doces escondidos, encontrei algumas balinhas de “Morango Cítrico”. Em meio a toda maravilha agridoce recém desembalada que minha boca já saboreava, lembrei de você. Lembrei que devia passar o adocicado que me mostraste, para minhas palavras de chocolate branco derretido.
Dos muitos mistérios da vida que moram entre “a razão do viver” e o “depois de morrer”, existe minha curiosidade quanto a tua pessoa: Quem seria essa doce-moça-boba dos cabelos da cor do sol? Essa dos olhos arqueados como um horizonte que se curva para beijar o nascer da lua, mas que, ainda assim, apenas tenho um olhar vislumbrado por meio de fotografias de facebook – fotos que mostram sorrisos que falam mais do que qualquer palavra trocada ou cruzada, diga-se de passagem -?
As viajosidades poéticas sobre o amor e paçoquinha com brigadeiro (não seria “amor” e “paçoquinha com brigadeiro” a mesma coisa?) mostram a loucura de uma flor do campo que tem uma morada no nome, um “Lar”, onde os beija-flores buscam, de maneira dulcíssima, a calma para uma conversa às duas da madruga boladona. Na despedida, voam beijos imaginários mais doces que qualquer doce que se possa encontrar no fim de um arco-íris de algodão-doce. No fim, palavras voltam a ser só palavras, e eu e você voltamos a ser só dois avatares coloridos.
Ao fim deste malogro textual, foi consumido um total de 10 (Dez) balinhas de morango. Mas, convenhamos, ainda há muitos doces a se provar!
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Deus está mais gordo
Por diversas vezes já acordei antes do despertador tocar, sob o silêncio imaculado da falta de obrigação e fiquei a imaginar todas as pessoas que gostaria de abraçar. Um daqueles abraços que nos fazem perder um pouco de nós e ganhar um pouco do outro. Um daqueles abraços que deixa marca, que tira pedaço. Mas o dia segue, os compromissos chegam e eu aprendo novamente a dizer "oi" sem sentimentos, a desejar bom dia e a repetir aquele sorriso mecânico.
Ultimamente meus sinceros "bom dia" são apenas para os motoristas de ônibus.
Acho que há algo de secreto nos abraços. Algo de místico nos beijos. Não sei explicar porque, mas todos concordam que estes não se resumem a meros toques de pele. Os abraços, penso eu, surgiram na necessidade de troca de calor. E ao longo dos tempo, ao invés de salvar do frio, ele passou a salvar da solidão. Mas o beijo não faz sentido. Talvez o compartilhamento de bactérias nos deixe mais forte, não sei. Talvez tenha algo a ver com uma parte não física do nosso corpo.
Em muitos casos de exorcismos, por exemplo, os possuídos vomitam, ou expelem outros tipos de substância pela boca ao serem limpos. Mas não consigo ligar uma coisa a outra. Talvez o beijo seja algum tipo de exorcismo. Exorcismo da solidão. Exorcismo desse sentimento que fica martelando no nosso incosciente que a vida é difícil, que as semanas têm sido repletas de agonia pelo simples fato de estar vivo e não entender muito bem o mundo ao redor.
Sexo deve ser algo do gênero, mas minhas experiências sexuais ainda não comprovam muita coisa. Acho que o sexo tem algo inconsciente que se relaciona com a importância da vida, da reprodução da espécie, daquela frase que Deus disse: "Crescei-vos e multiplicai-vos".
Será que Deus imaginava que a gente fosse se multiplicar e crescer do jeito que estamos fazendo? Será que ele imaginava por exemplo que a gente iria criar a seringa? Por mais que ele seja o todopoderoso, acho improvável ele ter imaginado tudo.
E se ele não tiver imaginado tudo, será que ele não mudou de opinião quanto à ordem que dizia pra gente se multiplicar? Faz tempo que Deus não fala nada. E mesmo que ele tentasse falar com a gente, só mesmo abrindo os céus e dizendo "Prestem atenção, seus porras!", até porque o mundo tá cheio de cara dizendo que fala com Deus e que Jesus mandou umas mensagens e ninguém dá atenção pra essa galera.
No mínimo, acho que se Deus aparacesse, ele não seria o mesmo Deus que a gente conhece. Sabe quando a gente não vê alguém há uns tempos e quando vê ela sempre tá mais gorda ou com o cabelo diferente?
Definitivamente, acho que Deus deve estar psicologicamente mais gordo, ou pscologicamente com o cabelo diferente.
Mas se ele aparecesse e fizesse uma paletra, eu iria. E se no final ele abrisse um espaço para perguntas, eu já teria dois questionamentos prépalestra.
1) Disserte sobre beijos, abraços e sexo. Relacionando este último com a frase anteriormente dita por você. "Crecei-vos e multiplicai-vos"
2) Onde eu recebo meu certificado de que participei dessa palestra? Sabe como é, meu curso precisa de horas complementares...
Espero ansiosamente o apocalipse. Vai explicar um monte de coisa.
Ultimamente meus sinceros "bom dia" são apenas para os motoristas de ônibus.
Acho que há algo de secreto nos abraços. Algo de místico nos beijos. Não sei explicar porque, mas todos concordam que estes não se resumem a meros toques de pele. Os abraços, penso eu, surgiram na necessidade de troca de calor. E ao longo dos tempo, ao invés de salvar do frio, ele passou a salvar da solidão. Mas o beijo não faz sentido. Talvez o compartilhamento de bactérias nos deixe mais forte, não sei. Talvez tenha algo a ver com uma parte não física do nosso corpo.
Em muitos casos de exorcismos, por exemplo, os possuídos vomitam, ou expelem outros tipos de substância pela boca ao serem limpos. Mas não consigo ligar uma coisa a outra. Talvez o beijo seja algum tipo de exorcismo. Exorcismo da solidão. Exorcismo desse sentimento que fica martelando no nosso incosciente que a vida é difícil, que as semanas têm sido repletas de agonia pelo simples fato de estar vivo e não entender muito bem o mundo ao redor.
Sexo deve ser algo do gênero, mas minhas experiências sexuais ainda não comprovam muita coisa. Acho que o sexo tem algo inconsciente que se relaciona com a importância da vida, da reprodução da espécie, daquela frase que Deus disse: "Crescei-vos e multiplicai-vos".
Será que Deus imaginava que a gente fosse se multiplicar e crescer do jeito que estamos fazendo? Será que ele imaginava por exemplo que a gente iria criar a seringa? Por mais que ele seja o todopoderoso, acho improvável ele ter imaginado tudo.
E se ele não tiver imaginado tudo, será que ele não mudou de opinião quanto à ordem que dizia pra gente se multiplicar? Faz tempo que Deus não fala nada. E mesmo que ele tentasse falar com a gente, só mesmo abrindo os céus e dizendo "Prestem atenção, seus porras!", até porque o mundo tá cheio de cara dizendo que fala com Deus e que Jesus mandou umas mensagens e ninguém dá atenção pra essa galera.
No mínimo, acho que se Deus aparacesse, ele não seria o mesmo Deus que a gente conhece. Sabe quando a gente não vê alguém há uns tempos e quando vê ela sempre tá mais gorda ou com o cabelo diferente?
Definitivamente, acho que Deus deve estar psicologicamente mais gordo, ou pscologicamente com o cabelo diferente.
Mas se ele aparecesse e fizesse uma paletra, eu iria. E se no final ele abrisse um espaço para perguntas, eu já teria dois questionamentos prépalestra.
1) Disserte sobre beijos, abraços e sexo. Relacionando este último com a frase anteriormente dita por você. "Crecei-vos e multiplicai-vos"
2) Onde eu recebo meu certificado de que participei dessa palestra? Sabe como é, meu curso precisa de horas complementares...
Espero ansiosamente o apocalipse. Vai explicar um monte de coisa.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Democracia autoritária
Nada mais intolerante do que uma "democracia jovem", como a nossa. Após 21 anos de ditadura, ainda transparecemos pouco capazes de respeitar a opinião alheia, sem julgamentos, sem desmoralização. É uma infantilização aguda, birra de divergências. Como citei em um artigo passado, é uma afetação em querer ter razão, como dizia Camus: "a obsessão em ter razão é a marca suprema de uma inteligência grosseira".
Não quero dizer, caro leitor, que politica não possa ser discutida, debatida, argumentada ... oras, afinal, é uma liberdade de expressão que é um direito totalmente garantido por lei, e sim, é um exercício a cidadania. O fio da meada, é como pode ser propagado sem interferir a liberdade do outro. Um exemplo claro disso é a imposição de pensamento que aconteceu no debate da record pelo candidato Levy Fidelix - partido renovador trabalhista brasileiro - que ganhou repercussão por defender de forma grosseira sua aversão as causas homoafetivas e tudo que a engloba. Típica "picuinha' da bancada conservadora que adora "se meter na vida alheia e enfiar suas verdades goela abaixo". Uma tragédia!
Militantes de todo o brasil que, constantemente defendem causas do tipo, parecem sofrer de uma Alzheimer temporária quando a questão é diretamente ligada com sua posição politica. Uma contradição pouco percebida aos eufóricos cidadãos conscientes. Liberdade, igualdade, igualdade, ops, igualdade. Hmm ... Estaria, então, todo o sentido de democracia perdido em meio ao achismo ditatorial das opiniões (?) Tantas questões ...
Dilma, Aécio. Bolsa Família. Economia. Mensalão. Privataria Tucana.
As opções foram lançadas e as tendências disseminadas ... 'Se é pra errar, prefiro errar "diferente".
Entre aspas.
*risos*
domingo, 5 de outubro de 2014
A Arte da Guerra - Sun Tzu
Disseram-me que esse livro seria uma afronta egoísta ao bem estar humano como um todo, que ele me faria ver a vida como uma guerra e que isso não era bom. Mas o ser humano é engraçado e o cérebro humano terrivelmente medonho.
Para mim é impressionante como cada um de nós temos visões individuais sobre as coisas. Sobre como cada um de nós temos um olhar apurado para certas inclinações que os fatos, obras e acasos podem tomar ao nosso redor. Isso é fascinante e ao mesmo tempo imperceptível aos olhos da maioria. Somos cegos todos os dias pelo fato de procurarmos um bem maior, uma vida em harmonia e uma boa convivência. A gente perde um pouco de nossa natureza ao negarmos nossos instintos. Não sei exatamente se isso é bom ou ruim, mas sei que isso acontece. E não é pouco.
A arte da guerra é um tratado escrito por Sun Tzu em forma de notas de alguma espécie de diário de bordo, divididas em capítulos que tratam de temas específicos, mas todos voltados para a temática da guerra. Ao longo dos séculos, foi tido como leitura obrigatória para generais de exércitos estrategistas e por entusiastas de movimentos políticos revolucionários. Mas em algum momento, alguém presumiu que poderia funcionar como metáfora. E lá vamos nós...
A arte da guerra passou a ser não mais um tratado técnico e de grande valor de cunho militar, mas um guia forçado e cabal de Administração empresarial e marketing. E só se entende o porque quando se questiona para onde foram as guerras no nosso saudoso século vinteum.
Mas isso não necessariamente vem ao caso. De mimimi capitalista/comunista a internet tá cheia. Meu propósito é só registrar algumas ideias que tive enquanto lia a obra.
O que é uma guerra se não pelo menos um par de moças trocando puxões de cabelo?
A vida não é necessariamente uma guerra. Muitos dos preceitos que ele fala no livro são baseados no inimigo. Como vou, por exemplo, espionar meus inimigos ou forçar ele a fazer algo que me leve a uma conquista maior se o meu inimigo é a vida?
Não. Por mais que meu pessimismo seja grandioso e válido em muitos dos momentos, eu não posso ser pragmaticamente prático e dizer que a vida é uma guerra. Mas também não posso negar que ela é uma trincheira. Guerras são feitas com trincheiras. E eu mais uma vez começo a construção de uma metáfora. Uma destruição de uma, talvez.
Volto a perambular por aqueles velhos questionamentos dos filósofos eternos: o que é tudo isso?
E sem respostas, me resigno apenas a anular o fato de que a vida é uma guerra. E tentar esquecer que talvez ela seja uma trincheira.
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Texto Invisível do João: "A única pessoa que amei"
"Foi muito estranho quando eu abri os olhos. Era um campo vastíssimo com gramíneas esverdeadas como a cor daquele sorvete que nunca provei. Não sabia o que estava fazendo por ali; nem sabia que lugar era aquele.
Foi quando o vi. A única pessoa que amei na vida. Estava irreconhecível, com o cabelo enorme, tipo o do Jimmy Hendrix, o rosto era apenas um borrão na minha memória e tinha um aspecto sereno que nunca tinha visto nele antes. Não lembro de muita coisa, fiquei muito nervoso; só lembro que ele me disse que não era bom estar vivo e, então, estendeu seu dedo indicador, apontou pra algum lugar. Falou: "- É ali que a sua mãe dorme".
Era pesado, era difícil olhar pra ele de novo depois de tanto tempo, tinha tanta novidade pra contar, tanta saudade pra matar...
Quando criei coragem para falar algo, o fortíssimo vento da vida real soprou minha lembrança vaga como se fosse uma escultura de areia. Minhas lágrimas molhavam meu travesseiro, porque desciam incessantemente ao lembrar que eu devia ter dito que o amava antes que aquela lâmina fizesse seu sulco em seus pulsos morenos. Mas agora é bastante tarde. Eu só quero fugir de vocês, colocar meus fones, dar play novamente em Stairway to Heaven, voltar pra minha ca(l)ma e dormir."
Foi quando o vi. A única pessoa que amei na vida. Estava irreconhecível, com o cabelo enorme, tipo o do Jimmy Hendrix, o rosto era apenas um borrão na minha memória e tinha um aspecto sereno que nunca tinha visto nele antes. Não lembro de muita coisa, fiquei muito nervoso; só lembro que ele me disse que não era bom estar vivo e, então, estendeu seu dedo indicador, apontou pra algum lugar. Falou: "- É ali que a sua mãe dorme".
Era pesado, era difícil olhar pra ele de novo depois de tanto tempo, tinha tanta novidade pra contar, tanta saudade pra matar...
Quando criei coragem para falar algo, o fortíssimo vento da vida real soprou minha lembrança vaga como se fosse uma escultura de areia. Minhas lágrimas molhavam meu travesseiro, porque desciam incessantemente ao lembrar que eu devia ter dito que o amava antes que aquela lâmina fizesse seu sulco em seus pulsos morenos. Mas agora é bastante tarde. Eu só quero fugir de vocês, colocar meus fones, dar play novamente em Stairway to Heaven, voltar pra minha ca(l)ma e dormir."
sábado, 9 de agosto de 2014
senta o dedo
7 de setembro de mil novecentos e noventa e seis.
tupac amaru shakur morria. dois meses depois eu vinha ao mundo, besuntado em líquidos uterinos e placentários. onde eu estou hoje? onde tupac está?
duas perguntas sem resposta. mas enquanto o brasil preparava seus desfiles de independência, glorificados pelos cavalos e seus cocôs, tupac vivia suas últimas horas. não sei se de forma tão poética quanto imagino, pois não entendo de fusos e nem sei direito o que é gmt. mas ainda assim, nada faz sentido. tudo que ele viveu, pensou e maquinou para que desse certo foi levado embora naquela noite de setembro. pelo misticismo, temos virgens e libras em setembro. pela minha consciência quase nula neste mundo, não temos muita coisa a não ser a nossa própria cabeça, corpo e ideias.
dezoito anos na cara. escrevendo com letras minúsculas como um ato de desespero em busca de uma identidade. "João, aquele cara que escrevia com letras minúsculas". "mas sempre que ele escrevia o nome dele, era com letras maiúsculas. talvez isso demonstre um fio da psycho dele que se achava superior ao mundo por n motivos" "não sei. talvez. tinha o fato de ele quase sempre escrever data e números por extenso" "talvez demonstre uma aversão à quantificação das coisas, talvez uma crítica à nossa sociedade construída sob números e suas manipulações" "vai ver era só o jeito dele, sem nenhuma mensagem por trás de tudo aquilo ou qualquer tipo de ideologia maior. vai ver ele só queria fazer as coisas do jeito dele pra se sentir um pouco mais livre do peso que o mundo tem" "dizem que ele gostou de uma mulher uma vez" "não sei".
então desolados, olham pela janela e pensam no meu rosto.
o que faria tupac shakur no meu lugar?
vínculado à minha realidade, acho que ele seria só mais um. acho que todo mundo necessita dos cavalos de tróia e das agonias que possuem. porque talvez o sentido da vida seja apenas ser um ponto único que é epicentro de tudo que não existe.
tupac amaru shakur morria. dois meses depois eu vinha ao mundo, besuntado em líquidos uterinos e placentários. onde eu estou hoje? onde tupac está?
duas perguntas sem resposta. mas enquanto o brasil preparava seus desfiles de independência, glorificados pelos cavalos e seus cocôs, tupac vivia suas últimas horas. não sei se de forma tão poética quanto imagino, pois não entendo de fusos e nem sei direito o que é gmt. mas ainda assim, nada faz sentido. tudo que ele viveu, pensou e maquinou para que desse certo foi levado embora naquela noite de setembro. pelo misticismo, temos virgens e libras em setembro. pela minha consciência quase nula neste mundo, não temos muita coisa a não ser a nossa própria cabeça, corpo e ideias.
dezoito anos na cara. escrevendo com letras minúsculas como um ato de desespero em busca de uma identidade. "João, aquele cara que escrevia com letras minúsculas". "mas sempre que ele escrevia o nome dele, era com letras maiúsculas. talvez isso demonstre um fio da psycho dele que se achava superior ao mundo por n motivos" "não sei. talvez. tinha o fato de ele quase sempre escrever data e números por extenso" "talvez demonstre uma aversão à quantificação das coisas, talvez uma crítica à nossa sociedade construída sob números e suas manipulações" "vai ver era só o jeito dele, sem nenhuma mensagem por trás de tudo aquilo ou qualquer tipo de ideologia maior. vai ver ele só queria fazer as coisas do jeito dele pra se sentir um pouco mais livre do peso que o mundo tem" "dizem que ele gostou de uma mulher uma vez" "não sei".
então desolados, olham pela janela e pensam no meu rosto.
o que faria tupac shakur no meu lugar?
vínculado à minha realidade, acho que ele seria só mais um. acho que todo mundo necessita dos cavalos de tróia e das agonias que possuem. porque talvez o sentido da vida seja apenas ser um ponto único que é epicentro de tudo que não existe.
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