quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Democracia autoritária


Em puro estopim do cenário eleitoral no país, em que todo mundo é pleno entendedor das questões politicas no brasil, exílio-me como observadora. Redes sociais a cada segundo são bombardeadas por opiniões/posições/oposições e egos intelectuais que, apenas se mostram - como os políticos- em quatro e quatro anos. Pura coincidência! É uma intolerância à opinião alheia sem proporção, ressaltando aos nordestinos, diga-se de passagem. E sabe o mais cômico? Os mesmos nordestinos que são vitimas da tal intolerância, disseminam a mesma com seus conterrâneos por terem uma visão diferente da grande maioria. Gargalhadas? Segurem os forninhos, 'giovanas'.


Nada mais intolerante do que uma "democracia jovem", como a nossa. Após 21 anos de ditadura, ainda transparecemos pouco capazes de respeitar a opinião alheia, sem julgamentos, sem desmoralização. É uma infantilização aguda, birra de divergências. Como citei em um artigo passado, é uma afetação em querer ter razão, como dizia Camus: "a obsessão em ter razão é a marca suprema de uma inteligência grosseira".


Não quero dizer, caro leitor, que politica não possa ser discutida, debatida, argumentada ... oras, afinal, é uma liberdade de expressão que é um direito totalmente garantido por lei, e sim, é um exercício a cidadania. O fio da meada, é como pode ser propagado sem interferir a liberdade do outro. Um exemplo claro disso é a imposição de pensamento que aconteceu no debate da record  pelo candidato Levy Fidelix - partido renovador trabalhista brasileiro - que ganhou repercussão por defender de forma grosseira sua aversão as causas homoafetivas e tudo que a engloba. Típica "picuinha' da bancada conservadora que adora "se meter na vida alheia e enfiar suas verdades goela abaixo". Uma tragédia!

Militantes de todo o brasil que, constantemente defendem causas do tipo, parecem sofrer de uma Alzheimer temporária quando a questão é diretamente ligada com sua posição politica. Uma contradição pouco percebida aos eufóricos cidadãos conscientes. Liberdade, igualdade, igualdade, ops, igualdade. Hmm ...  Estaria, então, todo o sentido de democracia perdido em meio ao achismo ditatorial das opiniões (?) Tantas questões ...



Dilma, Aécio. Bolsa Família. Economia. Mensalão. Privataria Tucana.
As opções foram lançadas e as tendências disseminadas ... 'Se é pra errar, prefiro errar "diferente".




Entre aspas.
*risos*



































domingo, 5 de outubro de 2014

A Arte da Guerra - Sun Tzu

Disseram-me que esse livro seria uma afronta egoísta ao bem estar humano como um todo, que ele me faria ver a vida como uma guerra e que isso não era bom. Mas o ser humano é engraçado e o cérebro humano terrivelmente medonho.
Para mim é impressionante como cada um de nós temos visões individuais sobre as coisas. Sobre como cada um de nós temos um olhar apurado para certas inclinações que os fatos, obras e acasos podem tomar ao nosso redor. Isso é fascinante e ao mesmo tempo imperceptível aos olhos da maioria. Somos cegos todos os dias pelo fato de procurarmos um bem maior, uma vida em harmonia e uma boa convivência. A gente perde um pouco de nossa natureza ao negarmos nossos instintos. Não sei exatamente se isso é bom ou ruim, mas sei que isso acontece. E não é pouco.
A arte da guerra é um tratado escrito por Sun Tzu em forma de notas de alguma espécie de diário de bordo, divididas em capítulos que tratam de temas específicos, mas todos voltados para a temática da guerra. Ao longo dos séculos, foi tido como leitura obrigatória para generais de exércitos estrategistas e por entusiastas de movimentos políticos revolucionários. Mas em algum momento, alguém presumiu que poderia funcionar como metáfora. E lá vamos nós...
A arte da guerra passou a ser não mais um tratado técnico e de grande valor de cunho militar, mas um guia forçado e cabal de Administração empresarial e marketing. E só se entende o porque quando se questiona para onde foram as guerras no nosso saudoso século vinteum.
Mas isso não necessariamente vem ao caso. De mimimi capitalista/comunista a internet tá cheia. Meu propósito é só registrar algumas ideias que tive enquanto lia a obra.
O que é uma guerra se não pelo menos um par de moças trocando puxões de cabelo?
A vida não é necessariamente uma guerra. Muitos dos preceitos que ele fala no livro são baseados no inimigo. Como vou, por exemplo, espionar meus inimigos ou forçar ele a fazer algo que me leve a uma conquista maior se o meu inimigo é a vida?
Não. Por mais que meu pessimismo seja grandioso e válido em muitos dos momentos, eu não posso ser pragmaticamente prático e dizer que a vida é uma guerra. Mas também não posso negar que ela é uma trincheira. Guerras são feitas com trincheiras. E eu mais uma vez começo a construção de uma metáfora. Uma destruição de uma, talvez. 
Volto a perambular por aqueles velhos questionamentos dos filósofos eternos: o que é tudo isso? 
E sem respostas, me resigno apenas a anular o fato de que a vida é uma guerra. E tentar esquecer que talvez ela seja uma trincheira.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Texto Invisível do João: "A única pessoa que amei"

"Foi muito estranho quando eu abri os olhos. Era um campo vastíssimo com gramíneas esverdeadas como a cor daquele sorvete que nunca provei. Não sabia o que estava fazendo por ali; nem sabia que lugar era aquele.

Foi quando o vi. A única pessoa que amei na vida. Estava irreconhecível, com o cabelo enorme, tipo o do Jimmy Hendrix, o rosto era apenas um borrão na minha memória e tinha um aspecto sereno que nunca tinha visto nele antes. Não lembro de muita coisa, fiquei muito nervoso; só lembro que ele me disse que não era bom estar vivo e, então, estendeu seu dedo indicador, apontou pra algum lugar. Falou: "- É ali que a sua mãe dorme".

Era pesado, era difícil olhar pra ele de novo depois de tanto tempo, tinha tanta novidade pra contar, tanta saudade pra matar...

Quando criei coragem para falar algo, o fortíssimo vento da vida real soprou minha lembrança vaga como se fosse uma escultura de areia. Minhas lágrimas molhavam meu travesseiro, porque desciam incessantemente ao lembrar que eu devia ter dito que o amava antes que aquela lâmina fizesse seu sulco em seus pulsos morenos. Mas agora é bastante tarde. Eu só quero fugir de vocês, colocar meus fones, dar play novamente em Stairway to Heaven, voltar pra minha ca(l)ma e dormir."

sábado, 9 de agosto de 2014

senta o dedo

7 de setembro de mil novecentos e noventa e seis.
tupac amaru shakur morria. dois meses depois eu vinha ao mundo, besuntado em líquidos uterinos e placentários. onde eu estou hoje? onde tupac está?
duas perguntas sem resposta. mas enquanto o brasil preparava seus desfiles de independência, glorificados pelos cavalos e seus cocôs, tupac vivia suas últimas horas. não sei se de forma tão poética quanto imagino, pois não entendo de fusos e nem sei direito o que é gmt. mas ainda assim, nada faz sentido. tudo que ele viveu, pensou e maquinou para que desse certo foi levado embora naquela noite de setembro. pelo misticismo, temos virgens e libras em setembro. pela minha consciência quase nula neste mundo, não temos muita coisa a não ser a nossa própria cabeça, corpo e ideias.
dezoito anos na cara. escrevendo com letras minúsculas como um ato de desespero em busca de uma identidade. "João, aquele cara que escrevia com letras minúsculas". "mas sempre que ele escrevia o nome dele, era com letras maiúsculas. talvez isso demonstre um fio da psycho dele que se achava superior ao mundo por n motivos" "não sei. talvez. tinha o fato de ele quase sempre escrever data e números por extenso" "talvez demonstre uma aversão à quantificação das coisas, talvez uma crítica à nossa sociedade construída sob números e suas manipulações" "vai ver era só o jeito dele, sem nenhuma mensagem por trás de tudo aquilo ou qualquer tipo de ideologia maior. vai ver ele só queria fazer as coisas do jeito dele pra se sentir um pouco mais livre do peso que o mundo tem" "dizem que ele gostou de uma mulher uma vez" "não sei".
então desolados, olham pela janela e pensam no meu rosto.
o que faria tupac shakur no meu lugar?
vínculado à minha realidade, acho que ele seria só mais um. acho que todo mundo necessita dos cavalos de tróia e das agonias que possuem. porque talvez o sentido da vida seja apenas ser um ponto único que é epicentro de tudo que não existe.

domingo, 3 de agosto de 2014

Refúgio


mesclas de sentimentos podem desatar como embaraçar misteriosos "nós" na garganta, nó que desencadeia sensações de origens destrutivas. Pode-se amar e odiar no mesmo instante, mas o ódio sempre se faz constante em maior proporção. O ódio nada mais é do que um amor ferido, espancado, judiado sem precisar usar-se da força física para tal. Palavras fazem sangrar, um homocídio a cada sílaba. Uma hemorragia interna a cada segundo, é o estado de quase morte, sendo este o sabor da vida usufruída da beira mais amarga, mais ingrata. Livros de autoajuda não passam de sanguessugas sem utilidades, porque palavras, meu caro, não pausam hemorragias. Nada mais são do que uma anestesia diária, sem conter a dor, apenas à manipula. Quando a mente definha, o corpo padece. Derramar-se em linhas ... Derramar-se em linhas ... E os pensamentos é a manivela para a vida ou aos cacos que restam dela. É o veneno e a libertação. Deus e o diabo andam de mãos dadas em suas ruelas. Em cada refúgio. E a lágrima de gosto ameno ganha a dramaticidade de hollywood sem encenação ... Há fragilidade é o que se tem de mais íntimo, típico de fundo do baú. Presente em cada abrir dos olhos. Entorpecer em delírios e envolver-se neles é a dose de ânimo que move as pernas, no fim das contas ...

terça-feira, 29 de julho de 2014

dois minutos pra daqui a pouco

   É bem verdade que tenho um acervo grande de textos engavetados, os quais estão sempre na inércia da minha falta de vontade de lembrar das coisas. A vontade de esquecer já é lembrar. Vez ou outra abro a gaveta e vou passando de um em um. Algumas boas geniais e outras boas ideias derrotadas. Há um nome de uma mulher muitas vezes repetido lá. Ao que me lembro, eu me enrolei com ela numa espécie de briga de gatos e acabei no chão. Como já disse, há nessa gaveta um equilíbrio: coisas boas e ruins. E tudo que tá lá tem uma característica em comum: me faz rir.
   E num mundo de timelines de facebook adubadas com o ego medonho alheio, vídeos virais que de tão engraçados não fazem sentido e imagens tão efêmeras quanto o piscar de olhos do cachorro, chega a ser um pouco estranho rir de si mesmo.
Sou como um homem numa praia, cansado. Tocando os grãos de areia e sentindo que há uma energia no mundo que liga todas as coisas. Um homem que há poucos instantes se debatia, esbarrando no desespero da falta de ar e na angústia de não poder realizar os sonhos que se acumulam na caderneta de poupança. Um homem que se engasga com a água e com a vida ao mesmo tempo. E a salvo na areia, não acredita ainda que vai conseguir tudo o que planeja antes de dormir. Mas ele se sente vivo. Se sente apto a não desistir. Olhando para o mar, que quase o engoliu, ele se sente como um pedaço do mundo. Mais uma partícula do espaço tempo que não somada a tudo, gera um todo. E um todo repleto de caminhos.
   Não tenho me importado muito se as promessas são cumpridas ou não, se as apostas são ganhas ou não. Mas não é um tanto - efemeramente - belo o fato de que eu posso apostar e prometer?
   Olhar pro começo e ver que já se saiu do lugar.
   Há dias em que o gosto levemente amargo do álcool não é sentido pelo nosso paladar. Há dias em que o álcool na boca é doce. Tem gosto de um sentimento estranho, o qual eu não sei explicar. Um gosto que entra em contato com meu cérebro e diz que há um ponto no universo que nada disso tem valor, mas que ao mesmo
tempo, nesse mesmo ponto, tudo isso tem o maior valor do mundo: ser único.
   E há dias incrivelmente surreais em que o gosto do álcool me faz acordar. Mas não há álcool. E é aí que está a mágica. Não há álcool. Apenas o sentimento do mundo.
   E, na boemia de minha nóia, a gorçonete parece ter uma face. Uma máscara perfeita de si mesma. E eu não consigo tirá-la de seu rosto. Vou perguntar depois onde ela comprou essa máscara. Como eu queria ter um carnaval só pra mim e então ir na loja que ela indicou, comprar uma máscara igual.
Como eu seria lúcido.
 
fiquem com esse som que eu já não se é meu ou dele.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Rabiscos


 Nesse fim de segunda-feira - segunda chuvosa e, quem sabe, comemorada no sertão - acabo percebendo que o dia passou rápido e encharcado dessa minha preguiça que agradavelmente me acompanha nesses constantes dias mortos. Continuo com essa mania retrô de escrever no papel antes do virtual ... Nesse curto espaço de tempo me vejo "bombardeada" de informações. Morre Suassuna, Ubaldo e Rubem. Israel deita e rola em corpos palestinos e, de brinde, zoa o Brasil - novo "Tyrion" mundial - . Aviões são alvos de mísseis, holandeses choram. E eu, "mariazinha", sendo espiritualizada na paraíba. Palestras visando reflexões para uma vida voltada ao bem próprio e comum, oficinas e mais palestras. Orações, confissões pessoais, emoções à flor da pele. Arrepios. Choros. Deus. Nesse contraste, volto ao ponto de partida. Meu quarto, dia nublado, gatinha de estimação e aquela xícara morna de café. Artigos, amores, desejos, papos curtos, desvariação ... Penso como pode ser a vida sem lastimação.