E na final da copa de dois mil e dois, ronaldo chuta a bola num rebote e bota pro gol. E depois, numa jogada um tanto bonita, mais uma vez coloca pra dentro do gol a bola, junto com a derrota da Alemanha e o sorriso no rosto dos brasileiros. Não tenho certeza como foi o decorrer da semana no país, mas no mínimo, ganhamos feriados para a ressaca. Porque trabalhar se o Brasil ganhou a copa do mundo ontem? E eu não estou reclamando, dizendo que brasileiro é preguiçoso e todo aquele blah blah. Não trabalhar faria tanto sentido quanto ir trabalhar.
Eu tinha seis anos e admito que não lembro de muita coisa. Não lembro como reagi, como meus pais reagiram. Mas lembro que eu estava errado."Mas errado porque?"
Porque eu fui o espermatozóide vencedor.
A culpa é do rato. Do rato que eles tentam pegar todos os dias mas não conseguem. A falta de sentido do queijo que poderia alimentar algumas bocas famintas. Mas o erro é meu. Ronaldo, com seu cabelo ridículo se tornando herói de um povo. Ronaldinho sendo substituído nos últimos momentos. Kaká, que ninguém sabe ao certo se entrou ou não no jogo. Felipão. Galvão Bueno.
E onde eu estava?
Todo mundo em seu lugar, fazendo suas coisas. O que mais eu poderia fazer se não fizesse minhas coisas? As coisas. Respirar forte. Suspirar, como dizem. Brigar com o mundo para conseguir a primeira transa. Usar camisinha para não pegar aids e para não ter filho.
Para não ter filho. Inibir a minha natureza humana e meu instinto animal para suprir meus desejos. Inibir o mundo.
Mas e se na fábrica, a camisinha não passasse por uma verificação, se o engenheiro de produção não tivesse planejado bem e o mecatrônico tivesse esquecido daquela linha do código em COBOL.
Deus do céu, saber que sou um sequência de erros não me faz querer levantar da cama, querer um bom emprego ou aprender a tocar aquela música no bandolim.
A vontade de apertar o delete e segurá-lo é sempre válida. Está sempre aqui comigo.
Mas a culpa é do rato.
O fodão é Ronaldo.
A rola grossa quem tem é Alexandre Frota, que lê bukowski e não tem preconceitos contra travestis. Aquele site pornô, aquela revista de fofocas.
A fraqueza do dia a dia dá um pouco de forças praqueles que pegam menos no supino. E corre. Corre, josé. José não anda mais.
Ronaldos sendo registrados em cartórios. Ronaldos sem talendo nato pro futebol. Ronaldos dirigindo empresas. Toda forma de poder é ilusória se um dos lados deixar de existir. Eu não existo. Mas para negar a existência, é preciso que exista algo. E no algo: eu renasço. Ressurgindo das cinzas. Sem entender o cheiro de queimado.
Joãos sendo registrados. Mas joão não foi herói. João não ganhou copa, não dirigiu empresas. João afogou Jesus Cristo num rio de forma tão rápida, que acharam que ele tava lavando o cabelo dele. João enxugou os pés de Jesus. João não era a luz, mas era a testemunha dela.
Os ronaldos possuem pés, chuteiras e talentos natos. Os ronaldos jogam bola, comem travestis. Colocam culpa na tireoide para o sobrepeso. Mas ninguém era obeso em auchvitz. Nem todo mundo sabe escrever alemão. Nem todo mundo sabe traduzir Nitche sem usar as notas de rodapé.
Certa vez conheci um cara chamado Vênus. Ele tinha uma camisa legal. Ela era furada. E boa parte da minha melancolia nasceu por causa do inglorioso fato da camisa de vênus estar furada.
Eu estou sempre atrasado. Nove meses de atraso, baby.

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