terça-feira, 15 de abril de 2014

Guia Politicamente Incorreto da Filosofia, Luiz Felipe Pondé

Estou ficando velho.
Mas isto pouco tem a ver com o fato de estar saindo finos pelos dos poros de meu rosto. Pouco tem a ver com o tamanho do meu pênis ou com a minha altura. Cheguei à conclusão de estar ficando velho porque tenho dado mais atenção a minha cama, com meus livros, minhas músicas absurdas e meus pensamentos mal amados do que para o mundo-lá-fora, por trás da janela (ou seria à frente da janela?). Parece que eu fui acordado e ainda não tenho controle total de minha consciência. Mas sei que fui acordado. Eu mesmo me acordei. Me obriguei a sonhar com uma queda e acordei antes de tocar o chão onírico.
Estou velho. Os shoppings estão cheios de pessoas que eu evito, as lojas de departamento, as lanchonetes. As casas dos meus amigos. O mundo virou um churrasco na laje e meu corpo recusa as carnes.

Politicamente correto é bem mais do que se imagina. É uma fórmula extremamente bem elaborada, que apesar de não fazer sentido, foi pensada de tal forma que não é possível refutá-la aos olhos de quem a usa. Eu diria que  é um mecanismo do mal em uma embalagem do bem. E Pondé vai lá e coloca uma etiqueta na embalagem informando: "Imagens meramente ilustrativas".
"Imagem meramente ilustrativa" é um artifício criado pela publicidade para dizer na sua cara que está mentindo com o único e meticuloso objetivo: fazer você comprar determinado produto. Mas que meio mais idiota é esse? Mentir para alguém, dizer que está mentindo e ainda fazer esse alguém comprar o produto por meio de uma mentira "autorizada"?

Bem vindo ao mundo moderno.
E sabe o pior? É necessário que existam pessoas idiotas o suficiente para não enxergar o "imagens meramente ilustrativas". É preciso gente idiota pra enxergar e comprar mesmo assim. No geral, é preciso gente idiota.
E nesse quesito, o mundo supera as expectativas e a mágica acontece: temos mais gente idiota do que pessoas espertas. E os espertos carregam o mundo.
Há os idiotas espertos, mas esses não carregam nada. A não ser os próprios medos e o rabo entre as pernas.

Pondé, na verdade, transformou muitos dos meus pensamentos corriqueiros e cotidianos em teorias, sustentadas por nomes e obras acadêmicas e literárias. Foi como uma extensão das minhas indignações. O livro não foi mais fantástico por eu não ser o público alvo. Pondé escreve com uma certa raiva na pena, que eu compartilho. Mas a raiva dele direciona a escrita a atingir alguém com força. Como um soco. E pra mim, o livro não foi como um soco. Eu já estava socando o mundo moderno há tempos, o livro apenas me deu mais força. Gritou algumas palavras de incentivo à beirada do ringue. E a torcida esperava tudo de mim. O mundo nas costas.

Me parece ser um leitura necessária para a maior parte dos jovens adolescentes que usam a internet, as redes sociais. Para os que ainda tem esperança na faculdade, que acreditam no ensino médio. Para os vegetarianos, leitores do Tumblr e editoras de blogs de moda. Para os professores do ensino público e para os administradores dos grupos do whatsapp.

E ao longo da leitura, eu pensei em vários amigos e amigas. Ou "amigos e "amigas". Pensei na raiva que Pondé levaria até eles e no abandono que eles fariam da leitura. Na incoerência dos argumentos que eles tentariam usar comigo. Mas eu os diria que não me importo nem um pouco. Mas na minha cabeça, ficaria maquinando e chegaria à conclusão: "eu me importo. me importo até mais que eles. me importo o suficiente para gastar meu precioso tempo e o mais precioso ainda: o pensamento. e tudo isso para algo que eu não me importo? não, eu me importo sim. mas é mais fácil dizer que não. é como uma máscara. é o mesmo princípio da máscara que eles usam, mas a minha eu pensei sozinho. ou será que não?"

E aí entraria num ciclo vicioso. Somos todos iguais. Os que carregam o mundo e os que são idiotas. Estamos todos vinculados aos mesmo instintos, pois somos humanos, biologicamente falando, e estamos condicionados às mesmas influências. Por mais infinitas que elas possam parecer, elas são finitas. Estamos limitados por nossa própria grandeza. Tem um fim. Saca?
meio vesgo, pra somar com Sartre e fazer meu cérebro gozar com essa vesguice ideária.


Ponto final, antes que seja tarde.

Nenhum comentário:

Postar um comentário