segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Filme #1: Nos tempos da vaselina - José Miziara [1979]
Bem, eu não sei como começar esta crítica, já que a obra é tão genial. Eu poderia não falar nada, deixar apenas a indicação e dizer que o filme é genial - mais uma vez -, mas eu vou falar sobre o filme. Onofre será o nome mais repetido dentro deste texto, pois nenhum pronome é digno de representar nosso astro mais radiante. Tomem isso como uma licensa poética.
É um filme vadio, ruim, esdrúxulo e todos os adjetivos que possam ser atrelados a uma obra da pornochanchada, mas uma coisa eu tenho que admitir: a obra é de uma genialidade que não tem tamanho.
Conta a história de um anti-herói, que mesmo perdendo todas batalhas, consegue vencer a guerra. Por mais contraditório que esse fato seja, a obra nos conduz por um labirinto de pequenas tramas que nos faz acreditar em algo que não tem fundamento. Onofre é como cada um de nós: um sujeito sem sonhos, sem músculos e sem talento, mas com um desejo de foder. É, Onofre só quer foder. Transar, pegar uma menininha e fazer amor com ela. E com apenas esse desejo, ele vai em busca da iluminação pessoal. Como um buda do interior, perdido no meio do Rio de Janeiro, Onofre levanta sua espada e grita em desacordo com os padrões sociais.
Ele só quer foder. Nada muito complexo. Não tem dinheiro para pagar um jantar, não sabe o que é lsd nem pega pesos para engrossar os braços. Onofre sabe que não precisa se tornar mais um macaco que se sustenta nos galhos da sociedade mal construída do Rio de Janeiro dos anos 70. Onofre sabe as armas que tem e sabe até onde pode chegar com elas.
Onofre, na verdade, é um de nós. Um de nós adolescentes que só quer saciar o desejo sexual reprimido, sem ter que ir a lugares muito distantes de seu horizonte de vida. Onofre é uma metáfora para o homem evoluído. O homem evoluído que é uma piada para os homens arcaicos. O Homem evoluído "não vale nada", mas que toma tudo de forma encantadora e mágica.
E apesar de todos os pesares passados, apesar de perder a última batalha e ser rebaixado a tão pouco no universo da obra, Onofre apenas se ergue dentro do conceito do personagem construído.
É como um homem das ruas que passou fome durante 2 dias e que é tido como atração por comer além do esperado. Ele, que consumiu a vaselina sem precisar de lubrificação. Ele que consumiu a vaselina, mas sofreu com a seca de todas as batalhas. A mais bela imagem de anti herói que eu conheci.
Todos nós temos um pouco dele e ele tem um pouco de todos nós. Onofre: um personagem atemporal que não tem noção dos seus poderes.
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